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quarta-feira, 23 de abril de 2008

Apresentação de personagens - Malvina

Estou escrevendo um roteiro de longametragem, trabalho final de meu curso. Essa é a protagonista. Poucas coisas na vida dão mais tesão do que criar histórias...



Malvina tiene 21 años. Es una chica de piel morena, pelo negro largo y ojos verdosos. Aunque sea físicamente guapa, ella irradia un aura de belleza interior muy fuerte. Tiene un brillo muy intenso en los ojos, y tanto hombres como mujeres se encantan con su manera sencilla y particular.

Nació y fue creada en SP. Siempre vivió con la madre, Iracema, que trabajó toda la vida en casa de familias de clase media. Tiene mucho respeto por la madre y por su figura silenciosa. Siempre se entendieron por medio de gestos, de actitudes de cariño. Uno de los recuerdos más fuertes de su madre es el de las dos, encerradas en la habitación que compartían en casa de sus patrones, después de comer. Malvina, encantada, mirando la tele con ganas de conocer todo el mundo, e Iracema, absorta en sus pensamientos que pocas veces llegó a revelar, trenzando el pelo de su hija y cantando canciones incomprensibles para Malvina, pero que la calmaban siempre que sentía ganas de llorar. Como cuando la decían bicho raro en la escuela. No tenía muchos amigos y se podía decir que andaba sola desde muy pequeña.

Nunca conoció su padre, la madre tampoco llegó a mencionarlo en alguna ocasión. Como nunca lo conoció, no lo puede llegar a extrañar, pero es cierto que su ausencia influencia la manera con que se lleva con los hombres.
Ya adolescente, su curiosidad hacia un padre es más p madre, personalidad que no puede entender por completo, pero que influencia todos los hechos de su vida. Su madre es la personificación de su mundo interior.
Fue una alumna regular, ni mala ni buena. La entusiasmaban las clases de geografía. Se quedaba fascinada con la Amazonia, sabía que era la tierra de su madre, que sus raíces estaban fincadas allá.

Empezó a trabajar a los 16 años, por iniciativa propia. A los 22 es empleada de un bar grande en el centro de São Paulo, donde hace sándwiches a la plancha para la gente que empieza muy temprano en el curro: llega a las 7h30 al trabajo, de lunes a viernes. Los fines de semana le gusta ir al parque cerca de su casa y disfrutar del silencio, ver programas de canto y baile o, cuando se siente más sociable, fuma unos porros con las vecinas “sospechosas” o va a los bailes de su barrio. En el centro, se para en la calle para ver a la gente que toca música andina, o jugando capoeira. Le gusta todo lo que la distraiga de la locura urbana. De vez en cuando conoce algún que otro chico.

No tiene una gran vida, pero intuye que las cosas cambiarán. Vive bastante ajena al mundo real, pero aún así sabe adaptarse a él. Bastante más que Iracema, por ejemplo. Es una chica urbana, criada y acostumbrada al caos de SP, pero tiene horror a todo. Su refugio es pensar en naturaleza, en verde, en los mapas hidrográficos de la bacía amazónica.

Encontrar su padre, que la cuenta dónde conoció su madre, la permite entender su mundo interior, al mismo tiempo que ella se identifica con él, en el sentido de ser una persona de espíritu libre, desproveída de perjuicios, muy conciente de sus elecciones y enamorada de la naturaleza y del mundo. Seguirá viaje por la Amazonia, en busca de rincones perdidos, donde se siente cómoda.

Malvina, minha mocinha

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Bese-moi... (f***-me)


...com um convite tão explícito à ma Cité D'amour (sim, eu estou falando disso!)...

Made in Japan - La grand odalisque, de Martial Raysse

Quando eu crescer e for morar em Paris, eu quero ser que nem ela.

A noiva




Pirei com essa obra do artista John Chamberlain. Apesar da matéria utilizada ser um carro totalmente amassado, ou seja, algo criado a partir de um ato violento, achei o resultado uma coisa tão singela, tão transcendental e tão pura... acho que representa bem o conceito de "noiva".

O Bubu

Bubu é o nome carinhoso do Centro Georges Pompidou, ou o Museu de Arte Contemporânea da França. Precisei ir duas vezes, para saborear com tempo. Vi coisas ao vivo que me levaram às lágrimas, como o mictório de Duchamp e Matisses a dar com pau, e descobri uns gênios necessários, como um certo Kupka, aí abaixo. O museu cobre mesmo um panorama muito amplo.



"A blusa romena", de Matisse, e "Romena de vestido vermelho", não sei de quem:



terça-feira, 8 de abril de 2008

A minha Paris


Eu era daquelas pessoas que achava mais chique dizer que não gostava de Paris. Não era bem desgostar, mas sim cagar pra Cidade-Luz. Não estava nos MEUS planos ir a Paris.

Como não sou totalmente imune aos apelos da civilização, acabei indo há 7 anos, pela primeira vez, com um grupo de cinco amigas, em agosto. Leia-se, foi la fin de la piqué. Não recomendo pra ninguém. Como turista, passei por todas as piores situações possíveis juntas!

Voltei à Paris agora, com menos gente, outono. Entro no metrô, cheio, como em qualquer metrópole, pessoas de várias etnias. Olhando pela janela, por todo o caminho, do aeroporto Charles de Gaulle (Gigante! Tenho loucura por aeroportos imensos) até o centro da cidade, há graffiti. Alguns bonitos, outros feios, mas uma linguagem que eu reconheço em qualquer lugar. Começa uma leve simpatia por uma Paris bem distinta daquela de cartão-postal, de torre Eiffel e de suas filas intermináveis de turistas, e muito próxima do que me atrai.

(Aqui em Barcelona também vivemos o calvário do turismo. Turistas são os desocupados que ficam andando feito lesmas na sua frente quando você tem quinhentas coisas pra fazer. Atrapalham o trânsito no metrô. Jogam os preços lá pra cima. Passam por você, em hordas de felizardos que podem sair pra tomar umas e se divertir até de manhã, enquanto você tem que chegar em casa, cozinhar e dormir, pra levantar cedo no dia seguinte. Turista é o maior paradoxo. Péssimo de ver, mas muito bom de ser!)

O graffiti me fez lembrar que, afinal de contas, eu estava em Paris!, a segunda maior cidade da Europa. Ia ver uma cultura de rua respeitável, galerias de arte underground e nem tanto, talvez deparar com uns gatinhos fazendo le parkour no meio da rua, respirar os melhores ares da moda, ver muita gente all stylez e escutar, invariavelmente, muita, muita música boa. E de fato fiz de tudo: além do que citei acima, vi Bounty Killer em um cabaré, dancei muito electro francês, me joguei no bootleg rockeiro e ainda balancei muito com hip hop beeeem oldschool!

Mas sou obrigada a admitir que, uma vez lá, é MUITO difícil fugir do roteirão-pra-gringo-ver. Paris não surgiu ontem, tem uma história de séculos, e isso é simplesmente o máximo! Quase tudo e praticamente todo mundo da civilização ocidental passou por lá. Paris surgiu no meio do rio Sena, em uma ilhazinha que começou a ser povoada por volta do ano 300! Hoje, a Île de la Cité é o centro centralíssimo da cidade, onde está, por exemplo, a catedral de Notre Dame. Juro que é impossível não se maravilhar com a beleza simples, mas imponente, daquelas torres brancas de arquitetura gótica, tão singelas e ao mesmo tempo tão sólidas, erguidas no século 14 (ainda em plena Idade Média).

Paris é fodona porque, tudo aquilo que a gente vê a vida inteira em imagens, e que formam o nosso imaginário sobre ela, corresponde a uma verdade ainda melhor do que esperamos encontrar. Paris ultrapassa o sentido de cidade, é quase humana, com suas idiossincrasias e caprichos. Respirar o ar daquela cidade tem, em todos os sentidos, um certo preço, e isso não sem motivo.

Ela é realemtente "all that": o desbunde dos Champs Elysées, do Arco do Triunfo, das vitrines Chanel (minhas preferidas), dos jardins de Luxemburgo e Tulherias, o Partenon, o Palácio do Eliseu, La Défense (Paris “moderna”, do quadradão vazado, uma passada de lindo), o Louvre-pai de todos, o Centro Georges Pompidou, xodó da cidade (Bubu!), a Sacre-Coeur (lembra o Taj Mahal), as incontáveis ruas, casas, cafés, ateliês, museus, universidades, consultórios por onde passou grande parte da intelectualidade e da arte ocidentais, e o lugar em que foram firmados os alicerces de nossos valores modernos e pós-modernos. Hoje em dia, Paris tem a força multicultural de um império, de passado colonialista, é bem verdade, mas que faz dela uma das capitais culturais do mundo, se não a maior de todas.

A cidade é deslumbrante como a mais sedutora das mulheres. Extremamente feminina, elegante, simplesmente bela. Mesmo debaixo de neve, de chuva, ventania e frio de doer, ela te seduz, te envolve, e você a admira e releva tudo, todas as suas sacanagens climáticas, os preços absurdos, o mau-humor parisiense. Tudo é perfeitamente compreensível! Cada esquina te leva a um lugar mais lindo, mais surpreendente. Há lugares fantásticos pra se perder em Paris por pelo menos uns cinco anos. E, de toda a cidade, os telhados de cor entre preto acinzentado e azul-escuro são a minha lembrança arquitetônica mais forte. Aquele chapeuzinho dos edifícios é a marca registrada da minha Paris.

E os parisienses... Péssimos na minha primeira vez, agora, sete anos depois, redimiram-se. E como! Perdôo-os, sem mágoas. Amabilíssimos, pacientes e até tentando falar inglês. Muitos já falam, a juventude em peso fala. Parece que eles não querem se identificar com aquela França anacrônica e xenófoba, que achava que o tempo passa e as coisas devem permanecer iguais. Conheci pessoas muito bacanas, nessa de diálogo bilíngüe. Porque o medo da bronca, admito, continua! Sempre tentava falar primeiro em francês; depois de pegar amizade, relaxava no idioma. E encaixava no meu texto expressões para mim memoráveis, como bas fond, bizarre, décadence avec elégance, ménage a trois, mise en scène, faite attencion!...

E como flertam os parisienses!... Uma coisa deliciosa, leve, natural... a cidade convida, pelo menos aqueles que têm tempo ou alma para ser flâneur (quem fez Estética com Denilson na UnB sabe)... dispensável comentar, disso todo mundo entende...

Mas como diria uma amiga minha, “nem tudo é perfeito. Nem em Paris”. Há, sim, uma raiva contra o sistema mal contida, perceptível nos lugares mais afastados. Muita pobreza e muitos imigrantes sem perspectiva de futuro, e é só sair um pouquinho do centro pra ver verdadeiras favelas, e pessoas vivendo de maneira precária. É preciso muito cuidado e saber aonde ir. Especialmente mulheres desacompanhadas, que são religiosamente abordadas por tipos estranhos, e eu vi umas figuras que não deixam nada a dever pros malandros brasileiros! Curta Paris, saboreie-a, mas não se deixe embriagar pelo deslumbramento.

Mas, por favor, vá!, vá!, vá!, como um muçulmano que deve ir a Meca ao menos uma vez na vida, se tiver a oportunidade. Todo mundo sabe e tem em si um pouco de Paris, do que nasceu, se desenvolveu, aconteceu ou simplesmente passou por lá. E eu, bem dramática, ainda digo mais: só vou ser uma mulher plenamente realizada depois de morar lá. E zéfini.