Realmente não guardei o nome do artista... mas lembro que era mulher.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
"Salta"
Realmente não guardei o nome do artista... mas lembro que era mulher.
sábado, 18 de outubro de 2008
Feliz
“Happy-go lucky”, último filme do inglês Mike Leigh, é simples, muito simples. Um continho sobre a felicidade, exatamente como informa o cartaz do cinema.
A estrutura do filme é a de um conto: uma história linear, um recorte da vida de Poppy, vivida por Sally Hawkins (prêmio de melhor atriz em Berlim esse ano), perfeita no papel. Poppy é uma garota de 30 anos, que vive com a namorada, Zoe, trabalha como professora primária e aproveita seu tempo livre para se divertir.
Um dia a bicicleta de Poppy, sua grande companheira, é roubada, e ela decide finalmente tomar classes de direção. O instrutor, Scott, é um cara durão e pessimista, muito diferente das pessoas de seu entorno. Apesar disso, ela não desanima e nem perde a própria vocação, de aceitar e amar os outros, sem perder o rebolado nas situações mais difíceis.
A primeira parte do filme tem cenas de humor de uma sutileza deliciosa, que injetam uma sensação de felicidade no espectador. Logo, a capacidade de Poppy de não perder a calma em nenhuma situação irrita um pouco, justamente porque sabemos como é difícil manter-se positivo e bem-humorado 24 horas por dia, todos os dias da semana. Poppy simplesmente não desiste: extrai néctar de qualquer ocasião, porque tudo, para ela, é aprendizado e oportunidade de exercitar sua crença na felicidade e na importância do amor como principal engrenagem do mundo.
Poppy entende (ou procura entender) todo mundo. Adora a irmã mais nova, às voltas com problemas típicos da sua idade, desconcerta Scott durante seus rompantes de amargura comovente, engaja-se pessoalmente na recuperação de um aluno problemático.
E se delicia com a banalidade da vida: não deixa de sorrir nunca. Pula na cama elástica como se fosse uma menininha, sente na alma a paixão do flamenco, que descobre por intermédio de uma amiga (uma das melhores seqüências do filme), diverte-se com a gravidez da outra irmã chatinha e até se envolve com um rapaz interessantíssimo, sem deixar Zoe (!).
Saí do filme pensativa, divagando sobre essa opção pela felicidade. É tão difícil aplicar constantemente um pouco de amor naquilo que fazemos, ter carinho sincero pelas pessoas com quem nos relacionamos. Um dos meus grandes objetivos na vida é me tornar uma pessoa cada vez melhor, não perder tanto a paciência com os mais velhos nem com os mais novos, ser tolerante com todos os pontos de vista, rir de qualquer situação mais embaraçosa.
Chego em casa e, ao ler o blog de minha amiga Patrícia (www.eufalocomestranhos.blogspot.com), vejo que não estou sozinha! Exatamente como Poppy, ela também quer tentar o sorriso todos os dias, pois vai que justamente hoje dá certo? Tinha também um pensamento que dizia que nossa atitude diante da vida deve ser a mais fluída possível. Como um rio, sem se desviar do curso da gentileza, da boa ação, da positividade. Não é porque fulano me respondeu de mau-humor que eu também devo fechar a cara, pelo contrário. Não podemos nos deixar abalar pelos obstáculos, nem nos sentir atingidos pessoalmente pelos "problemas" dos outros.
É mais difícil, mas também é mais gratificante tentar mudar o mundo, plantar todos os dias a sementinha do amor no que fizermos. Tudo se transforma. A vida sempre terá cor, mesmo nos momentos mais duros. Ser feliz é simplesmente fazer a sua parte no que diz respeito à harmonia do mundo e não se deixar afetar por aquilo sobre o que não se tem controle, nem se afastar do caminho do bem, mesmo nas horas mais dolorosas. Sempre poderemos fazer alguém abrir um sorriso, ou no mínimo refletir sobre sua própria maneira de encarar a vida. Podemos influir mais no mundo do que temos idéia. A existência, tão vaga mas ao mesmo tempo tão complexa, passa a fazer realmente sentido quando mergulhamos de cabeça na vida. Viver sem amar não é viver. E sem amor, eu nada sou.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
A eterna estranha
Desde pequena tenho a sensação de não me encaixar nos lugares e nas situações ao meu redor. É como um gosto amargo na boca, um ressentimento inconsciente e constante, já que não sei definir exatamente de onde, do que e de quem eu sinto falta.
Quando eu finalmente ganhei um quarto todo rosa, comecei a me achar meio boboca por não escolher uma cor menos “mariquinha”, como azul ou amarelo.
Quando eu estudava na turma A, estava convencida que a turma C era muito mais fodona. Por mais que eu adorasse meus colegas de classe, achava que estava perdendo as piadas, as bagunças, o auê na sala ao lado.
Achei a Disney uma bobagem, mas tinha vergonha de dizer a verdade porque era A viagem entre o povo da minha idade, e me sentir feito uma “Carrie, a estranha” era a última coisa que eu queria naqueles tempos adolescentes.
Quando fui estudar no Marista, pensava nos amigos imaginários, bem mais alternativos, que teria se tivesse ido pro Sigma. Demorei os cinco anos que passei lá pra finalmente “encontrar minha turma”, mas, como boa deslocada, saí da escola pra fazer intercâmbio.
Meu intercâmbio foi das experiências mais traumáticas. Passei seis meses inteiros pensando fixamente no Brasil e no meu namorado à época, com quem brigava todo santo dia antes de ir. Claro que, à distância, eu me martirizava por todo o tempo perdido com ciúmes e picuinhas. E claro também que, quando voltei e o reencontrei, o amor acabou.
Eu me sentia perdida na faculdade. Não me identificava com os jornalistas e com os publicitários mal tinha contato. Achava o povo do cinema interessante à distância, mas de perto me pareciam pedantes e “sublimes” demais.
Quando casei e fui morar fora, sentia saudades lancinantes do Brasil, e me peguntava constantemente o que é que tinha feito da minha vida.
Quando voltei ao Brasil para terminar a faculdade, pensava dia e noite nos anos que me faltavam para voltar para a Europa.
No meu primeiro dia de trabalho depois de formada, eu já sabia exatamente o que faria com a grana economizada durante o tempo que eu ficasse no emprego.
Antes de chegar à Espanha imaginava mil histórias românticas com os "hombres" daqui. Hoje em dia, além de me dar conta de que em Barcelona eles são catalães (isso muda tudo. TUDO!), peludos e têm as pernas curtas, meu tesão por eles foi abaixo de zero.
Estava 100% certa que era uma pessoa 100% solar, mas agora que aprendi a gostar de frio, fico pensando que isso desestabiliza fortemente a minha personalidade.
Fiquei muito feliz quando voltei a estudar no ano passado, mas algo me dizia o tempo todo que não merecia levar uma vida tão leve enquanto todo mundo ralava.
Quando estou trabalhando, me sinto um zumbi sem vontades. Quando não estou trabalhando, me sinto culpada por estar ociosa, e não consigo desfrutar meu tempo livre.
Apesar de estar tecnicamente sempre de regime, nunca consegui emagrecer os mitológicos 10Kg que tinha a menos aos 17 anos. Minha dieta só costuma durar até a terceira lata de cerveja, ou o segundo beque.Me sinto uma inconseqüente por ter ficado a madrugada passada in-tei-ra lendo o kibeloco (!!!), quando poderia ter dormido uma noite de sono tranqüila, ou simplesmente visto o filme que havia planejado ver.
Por que diabos é tão difícil seguir meus planos à risca, que afinal de contas passo tantas horas calculando tão minuciosamente?
Quando estava casada, queria estar solteira. Agora solteira, continuo sem saber se queria estar casada (acho que não), mas me sinto uma total alienígena por não conseguir assumir meus sentimentos.
Tenho a constante sensação de que nunca conheço ninguém bom o suficiente pra mim, sejam amigos, conhecidos, professores, colegas de trabalho ou relacionamentos.
Odeio meu entusiasmo fugaz, infantil e míope por pessoas com as quais, depois, eu não consigo me relacionar. Parece que desaprendi a ficar com alguém, tudo me dá preguiça, me desanima e qualquer bobagem me dá vontade de sumir.
Queria ser mais constante e mais perseverante, levar meus projetos a cabo com mais determinação... se eu ao menos soubesse quais são esses benditos projetos! Vejo tanta gente mais nova e tão mais bem-colocada diante da marca do pênalti...
Seria fantástico se eu finalmente conseguisse manter minha boca de caçapa fechada em muitas, várias, incontáveis situações (de sinceridade extrema a sonhos íntimos).
Depois de anos e anos de terapia (mas principalmente durante a maldita TPM), ainda continuo com a sensação de que não aprendi absolutamente nada sobre a vida, e isso me causa um desespero enorme, como um bicho me devorando por dentro.
A urgência que eu sinto em escrever é inversamente proporcional à exatidão do que eu gostaria de expressar em palavras.
Dessa vida eu quero...
Acabo de ver “Vicky Cristina Barcelona”, último trabalho de Woody Allen, com Scarlett Johansson, Penélope Cruz e Javier Bardem. Como adianta o título, a história se passa aqui em Barcelona, onde há pelo menos um ano todo mundo comenta sobre o filme. Bacana reconhecer a cidade na tela, ainda que ela tenha ficado um tantinho irreconhecível pros “populares”, como eu, que não comem em lugares caros, não têm grandes contatos no círculo das artes e muito menos casas-ateliês nas montanhas dos arredores.
Como sou muito fã de Allen, digo que achei o filme divertido. Simples, mas bem-feito, elenco afiado e bem dirigido, fotografia bastante luminosa, como a própria cidade em si. Sempre vale a pena ver o “cara”, mesmo quando ele trabalha “nas coxas”. Dizem as más línguas que Allen só veio filmar aqui porque recebeu uma boa grana pra isso (deixa só o César Maia saber!), mas para quê estragar o encanto da coisa, não é?
O filme é, basicamente, sobre histórias afetivas que se entrecruzam e as suas respectivas conseqüências para os participantes do “jogo”. Como cada um deles vivencia seus relacionamentos ,e até onde querem, ou podem ou suportam chegar em busca do que convencionamos chamar de amor.
Faço muito minhas as palavras da personagem de Scarlett, Cristina, que admite, sem medo de errar, que não sabe o que quer da vida, mas que sabe, muitíssimo bem, o que não quer.
Otimista inveterada que sou, acredito que já é um grande adianto saber o que não se quer. Pelo menos assim restringimos um pouco o espectro de tudo o que podemos obter da vida. Poupamo-nos de aborrecimentos, murros em pontas de facas, repetidas tentativas infrutiferas... mas, num certo sentido, continuamos sempre na mesma: pra onde, afinal de contas, queremos ir?
Semana passada recebi um email da minha mãe no qual ela questionava duramente minhas escolhas. Com um pouquinho de distanciamento, é facil saber porque ela não entende o que eu vim fazer aqui na Zoropa, passando frio, fome de melhores oportunidades de trabalho e necessidade de colo e carinho dos meus entes mais queridos. Claro que saudade de mãe vira logo um dramalhão exagerado, e que, num primeiro momento, sucumbi à autocomiseração – claro, eu também já chorei na frente do espelho, imaginando-me a mais sofredora das heroínas!
Só que depois, lendo e relendo o texto, caí em mim e reconheci que posso não saber muito ou mesmo nada sobre os rumos que estou tomando, mas que estou certa de que a vida que eu levava antes não me satisfazia.
Pode parecer pouco, ou loucura, ou capricho de quem sente o peso dos 30, mas quer ter 18 para sempre... mas resumindo a ópera, essa é a vida que eu escolhi levar, e não alguma trilha que apareceu no caminho e eu decidi seguir, por comodidade, por segurança, por teimosia, por medo, pra não ser muito “diferente” das filhas das amigas da minha mãe...
A possibilidade de que eu me perca, ou me arrependa, ou me sinta uma “eterna deslocada” sempre vai existir. Mas vivendo a vida do meu jeito eu nunca vou poder culpar ninguém pelos meus insucessos, o que acho muito digno. Não serei nunca uma vítima, pobre-coitada, refém das circunstâncias e da sociedade. Acho bastante difícil que, daqui a uns dez anos, eu chegue a pensar que fiz uma merda enorme saindo do “empregaço” que tinha até um ano e meio atrás. Não tem nada que me dê mais medo do que chegar a uma determinada altura da vida e me arrepender do que não fiz.
Podem me chamar de idealista, ou romântica, ou hedonista. Só sei que sem essa loucura pelas minhas poucas, mas conscientes escolhas, eu não seria quem sou hoje, complicada, difícil e irritante, mas certamente “senhora dos meus domínios", como já dizia meu mestre Seinfeld.
sábado, 6 de setembro de 2008
Savoir-vivre em comunidade
Pois bem. Aqui todo mundo divide apartamento. E não apenas os estudantes de fora, mas também adultos como nós, na casa dos 30 anos, formados, trabalhando, muitas vezes casados. E até com filhos, quando rola uma boa sintonia na casa.
Funciona assim: alguém descola um contrato de aluguel. Ou seja, arca com as exigências hercúleas da coisa, como contrato de trabalho permanente (quase todos são temporários), aval bancário para mais de seis meses, o aluguel em si e comissões de imobiliárias. Ou paga em cash uma fiança que, malfazendo contas, custaria o preço de um carro popular no Brasil.
E o que faz essa criatura? Subloca os quartos do apartamento a preços altíssimos e não paga aluguel. Os outros pagam o apartamento. Trocando em miúdos, é a forma mais corriqueira de abrir um negócio aqui.
Mas as pessoas chegam e saem, então a rotatividade nas casas é grande. As coisas funcionam na base da hierarquia. Quem está há mais tempo na casa muda pro melhor quarto e quem chega por último quase sempre fica com o pior, que é justamente o que se tenta alugar para os que vêm de fora.
Um breve parêntese: os quartos de apartamentos espanhóis são os piores do mundo. Geralmente só um quarto na casa é realmente decente. O outros costumam dar para um pátio interno horroroso, sujo e nojento, porque ali se encontram todos os outros quartos e cozinhas e banheiros do prédio. Um corredor vertical de cheiros e barulhos que ninguém merece ter, ainda mais dentro do próprio quarto!
Como se não bastasse, ainda rola um casting básico. Você não escolhe um quarto, é o “quarto” que escolhe você. O, digamos, gerente do apartamento te mostra a casa, maquia os problemas da “comunidade” e ainda te entrevista. Discriminaçõezinhas mais corriqueiras: homens, fumantes, estudantes de intercâmbio universitário, desempregados. Mas todo mundo sempre se arranja.
Mas não acabou. Você ainda tem que se entender com as outras pessoas que vivem na casa. Ou mais bem se harmonizar, porque, empiricamente falando, tem gente que não dá pra entender.
Filha única muito satisfeita, sou obrigada a admitir que é um interessante, e em muitos casos necessário, exercício de convivência. Difícil como o quê, porque afinal trata-se de dividir a sua casa com gente que, a princípio, você nem conhece. São outras educações, outros horários, outros hábitos de higiene, outros momentos de segunda-feira às oito da manhã. Lixo acumulado há uma semana que ninguém lembra de descer. Pia lotada de louça suja quando você precisa cozinhar. Banheiro ocupado naquelas horas. Assaltos a geladeira. Falta de privacidade.
Daí pensei prós e contras e decidi pagar mais caro por um quarto enorme. Cheguei à conclusão de que preciso ter uma casa dentro do apartamento. Só nesse território, dentro da casa que eu posso ter, aqui, posso exercer todas as minhas deliciosas liberdades e neuroses de mulher.
domingo, 17 de agosto de 2008
Reencontros
Festa popular, noite de sábado. O bairro inteiro decorado, ruas enfeitadas com esmero, uma grande maioria de gente jovem, além de bebuns, turistas e banheiros químicos espalhados por toda parte. Tati está na praça com os amigos de sempre, bebendo uma cerveja e sacolejando com a música embolada que sai das caixas de som.
De repente aparece o Jão.
-Oooooi Jão! Tudo bem? Sumido, você...
-É, estou indo embora. Cansei dessa vida proleta. Tô com saudades do meu país, da família, dos amigos...
Jão lança um olhar comprido para dentro do decote de Tati, que ela finge ignorar. Não tem nada mais constrangedor do que um marmanjo perdido entre duas tetas, pensa consigo mesma. Mas contemporiza:
-Aquela escada te fez um bem incrível, diz o Jão pra Tati. Ela não tem remédio senão rir, afinal mora num sexto andar sem elevador!, mas acha o comentário dispensável. É que agora deu pra ser discreta.
Como uma metralhadora engatada, Jão dispara torpedos baratos, lembranças borrosas, cobranças sem sentido e frases de efeito em direção a Tati, que acha graça da situação absurda - um ex-whatever que monta um verdadeiro capítulo de novela só pra dar uminha - e se esquiva cada vez que ele tenta encurralá-la em alguma parede. Tsc, tsc. Por que homens desesperados sempre apelam para atitudes manjadas?
-Como você pôde apagar meu número do seu telefone? Como pôde esquecer do que vivemos juntos?
“Mas se nem era nada nesse nível...” pensa Tati, que faz uma careta e espera que sua atitude defensiva fale por si, mas Jão não capta a mensagem. Séria, ela então decide retribuir a canastrice, olhando com cara de tédio, bem dentro dos olhos dele.
-Desculpe, Jão, mas apaguei seu telefone, sim. Sinto muito. Sabia que a gente poderia se encontrar por outros meios, já que temos amigos em comum. Foi mal aê.
Ainda assim, Jão finge não entender o que Tati quer dizer. E dramático, insiste:
-Eu estou indo embora, Tati! Não sei quando volto pra cá...Você vai ter o desplante de fazer isso comigo?
Tati nem respira:
E você, Jão? Ainda não ouvi da sua boca você perguntar se eu quero a mesma coisa que você. O que eu quero, aqui, não tem importância não, é?
Meio atordoado, Jão olha pra Tati com cara de cachorro pidão, mas ela fulmina:
Aproveita e pára de me encurralar aqui que eu tô morrendo de calor!
-Nossa, Tati, tá nervosa...
-Ah, meu filho, no drama... Se você quer garantir sua última trepadinha antes de ir, se agilize. Não tá vendo a quantidade de mulheres ao redor? Por que você tem que cismar justo comigo? Tenha dó!
Tati sai de perto e se aproxima dos amigos. Tragicômico, Jão ainda arrisca um ou outro olhar de amante ofendido, mas Tati já não vê mais nada. Abstrai a cena em cinco minutos, como qualquer bêbado que se preze. E sai andando em fila indiana com a turma, pelo meio da multidão, pra lá de Marrakech.
E aí topa de frente com outro ex, de final também não esclarecido. A canastrice masculina domina:
Tati! Você sumiu, por onde andou todo esse tempo? Senti tantas saudades de você...
Ela sabia que logo, logo, eles se veriam de novo, já que o final havia sido abrupto demais. Dele, Tati realmente ainda esperava alguma coisa. Um olhar de encanto, um sobressalto, uma cerveja, o que fosse. Mas, assim de imediato, o reencontro não surtiu o efeito esperado, nem nada muito emocionante.
Mesmo assim, não se deram por convencidos e tomaram um táxi pra casa dela. Um último tira-teima, mas sem aquela chispa inicial. Adormeceram profundamente juntos, como íntimos desconhecidos. Tati aproveitou pra se esparramar na cama depois que ele saiu.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
My sun my life
Barcelona vai bem, obrigada. Por mim e por ela, sim. Não tem como não gostar da Espanha, mas principalmente no verão. Um sol inclemente, quase inacreditável pra quem vem dos trópicos e pra quem é daqui, por causa do inverno. Ainda fico pasma com o contraste entre as estações extremas, e até já começo a ter mais simpatia pelo outono e pelo inverno, que tão graciosamente nos acomodam, ano após ano, para os tempos futuros...
É muito importante pra minha paz interior (kkkkkkkkkkkkkk!) ter consciência da dádiva que é viver pelo menos três meses de verão no ano. No Brasil a gente nem se dá conta disso, porque já somos abençoados pelo sol. Aqui, assim como aí, ele é artigo de primeira necessidade, mas também de luxo. De um hedonismo básico que todo mundo merece cultivar cada quando. Não à toa o bonde germânico-saxão-escandinavo baixa em peso por aqui. Eles passam mais da metade do ano sem ele. E são os mais pirados, claro.
Mas eu adoro a alegria deles, porque isso me lembra meu próprio país. Minha gente. Tempo de Carnaval vem à mente, que é quando culmina o final das férias daí, e às vezes vem de lambuja, em anos em que tudo volta a funcionar já no começo de fevereiro. Calor, muita gente junta, música, dançando de todo jeito, alegria alegria, tudo muito alto, em tons bem fortes. É que brasileiro, em geral, é assim mesmo, só espera uma deixa pra começar a se divertir. E tem maneira mais leve de levar a vida?
