Powered By Blogger

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Mami no Gaspari

Reproduzo abaixo a coluna do Grande Gaspari, no domingo dia 25, na Folha de S. Paulo.
Suelena, para quem não sabe, é minha mãe! E como não é todo dia que ela escreve um livro...
Quando eu crescer quero ser igual a ela!

ELIO GASPARI
Lembra da Telebrás? Querem ressuscitá-la

O governo de Nosso Guia produziu dinheirinho fácil com um negócio inexistente: 200% num só dia

EM 1995, QUANDO O Estado tinha o monopólio das telecomunicações, a Embratel avisou a patuléia que ofereceria "acesso pleno aos seus serviços de internet". "Acesso pleno" significava o seguinte: os teletecas aceitavam apenas mil novos usuários por mês. Havia 15 mil vítimas na fila. Pensava-se em estatizar o tronco da rede.Felizmente, o ministro das Comunicações era o grão-tucano Sérgio Motta. Ele chutou o balde, acabou com o monopólio, leiloou as teles e passou adiante a Embratel. Sobrou uma sementinha, a Telebrás.Ela dormiu durante nove anos e reapareceu, misturando megalomania, mico, fracasso e dinheirinho fácil.A megalomania saiu do Planalto. É um projeto de estatização do uso comercial dos 16 mil quilômetros da rede de fibras ópticas do sistema elétrico e da Petrobras. Seria coisa boa, capaz de levar conexões de banda larga para quase todas as cidades brasileiras. O governo acredita que, com R$ 10 bilhões, levará a internet rápida a 150 mil escolas. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou que a iniciativa pode ser tocada ressuscitando-se a Telebrás.Faltou contar que em 1999 o acesso a essa rede de fibras foi vendido à empresa americana AES, associada à Eletrobrás. Para isso, criou-se uma estatalzinha chamada Lightpar. A Eletronet faliu em 2003, deixando um buraco de R$ 700 milhões nas contas dos fornecedores. A essa altura a Lightpar estava aparelhada pelo PT. Noves fora um escândalo pessoal envolvendo menores, sumiram livros com informações financeiras e, num só semestre de 2005, ela custou R$ 724 mil, com 28 funcionários para fazer nada. Numa economia capitalista, os credores da Eletronet micariam. Como a bolsa da Viúva foi esquecida na mesa, eles querem vender seus créditos.Quando Hélio Costa anunciou que a Telebrás poderia ressuscitar, o governo de Nosso Guia produziu dinheirinho fácil com um negócio inexistente. As ações da empresa saíram do estado de catalepsia e valorizaram-se 200% num só dia.A iniciativa privada, que recriou o sistema nacional de telecomunicações, está confinada à periferia da exploração da rede de fibras. Os teletecas, que azucrinaram os consumidores e conceberam a sociedade da Eletrobrás com a Eletronet, apresentam-se como a voz o futuro. São o ronco do passado.

BORBA DE MORAES E SEU AMOR AOS LIVROS
Para quem gosta de livros e, sobretudo, para quem gosta de quem gosta deles, saiu "O Mestre dos Livros Rubens Borba de Moraes", de Suelena Pinto Bandeira, publicado pela heróica editora do professor Briquet de Lemos. Nele, conta-se a vida do organizador da segunda maior biblioteca do país, a Mário de Andrade, de São Paulo. Negando a imagem pacata do bibliômano, Borba foi um dos organizadores da Semana de 22 e combateu na Revolução de 32. Nos anos 40 foi acusado de dilapidar o patrimônio emprestando à choldra volumes que colocava numa biblioteca ambulante armada em cima do chassi de um caminhão. Em 1942 o prefeito Prestes Maia acabou com a festa, que proporcionava "romances policiais a meia dúzia de vagabundos".Poucas pessoas fizeram tanto pelos livros no Brasil. Borba de Moraes (1899-1986) organizou uma preciosa biblioteca particular que hoje está incorporada à coleção Guita e José Mindlin. Nela há uma pasta com folhas manuscritas e datilografadas. São as suas memórias. Algum editor piedoso poderia publicá-las. Formariam um volume de umas 350 páginas. É um prazer vê-lo descrever a bailarina Isadora Duncan ("pré-pelancuda") ou Vila-Lobos ("prima dona") levando-o a uma das ruelas da Lapa para conhecer "uma grande cantora".

Nenhum comentário: